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Se o cão é o melhor amigo do homem, faça uma nova amizade: adote um animal

2009 Novembro 20

Esse é o mote da minha mais nova campanha utilizando o Google Maps. No novo mapa (link curto: tinyurl.com/adocaoanimais), você encontrará locais em todo o país todo que promovem a adoção de animais. Nessa empreitada, contei com a importante colaboração da jornalista Luciana Cadé e do veterinário Geovane Monteiro.

Segundo Monteiro, gatos e cães vira-latas ou SRD (sem raça definida, o termo correto)  são os mais comuns de serem encontrados em feiras de adoção. Isso decorre do fato de serem também os tipos de cães que normalmente são abandonados e/ou vivem nas ruas.

A adoção de outros animais tidos como “pet” é mais rara. Além disso, dependendo do tipo de animal -por exemplo psitacídeos (periquitos, calopsitas e papagaios)-  cuidados extras são importantes. “Se forem espécies nativas, é necessário que o animal não seja oriundo de comercio ilegal. Tem de possuir comprovante de que foi adquirido de um criador comércial autorizado pelo Ibama”, esclarece Monteiro.

[Mais informações]
Tudo sobre adoções e doações
Os  Mandamentos da Posse Responsável de Cães e Gatos
Teste do Proprietário Responsável

[Outro mapa que também criei]
Enchentes no Norte-Nordeste – Saiba onde pode fazer doações (Google Maps)

Imagem via Flickr de J. Star

O que é o sistema operacional Google Chrome OS?

2009 Novembro 20
por charles cadé

O Google lançou ontem seu sistema operacional integrado com as nuvens (cloud computing): os programas não estão instalados no computador, mas sim funcionam direto da internet, como a suíte de aplicativos Google Docs.

Como virou praxe, a empresa lançou um vídeo explicativo da ferramenta (acima). O sistema, que será gratuito e terá código aberto (open source), já está disponível para programadores. Seu lançamento para o público ocorrerá no ano que vem.

Atualização:
Veja, abaixo, uma demonstração do Chrome OS [via Blog da Vanessa Nunes]

Seu blog possui audiência ou você construiu uma comunidade?

2009 Novembro 20
por charles cadé

“Você está criando uma comunidade ou uma audiência?” É dessa forma que o consultor de mídias sociais Jay Baer inicia o debate sobre a noção de pertencimento a determinado grupo propiciada por um blog.

Para que isso aconteça, ele afirma que é necessário o “W FACT”. Consiste em: entrar nas páginas dos visitantes de seu blog e enviar um e-mail agradecendo o contato, adaptar o conteúdo do seu site para os interesses do público (o que ele mais procura), responder todos os comentários de forma pessoal, conhecer os interesses dos leitores mais assíduos e conectá-los com quem possui gostos afins e, por último, sempre agradecer.

Podem parecer práticas mais ligadas a estratégias de relações públicas (ou recomendações de netiqueta), mas demostram uma preocupação, genuína ou não, em interagir com quem acompanha seu trabalho. Algo que os comunidadores deveriam se preocupar com mais atenção.

No caso de jornalistas, uma boa proposta é o conceito de beatblogging: não apenas utilizar recursos da mídia social, mas realmente praticar uma nova postura, mais aberta e participativa com os “leitores”. Segundo o beatblogging, comunicadores atuam em segmentos específicos, e a comunidade lhe dá apoio na produção dessa informação.

Até porque, como defente Jeff Jarvis, na internet, freqüentemente o material é publicado primeiro e editado posteriormente. A informação é complementada de acordo com os desdobramentos dos acontecimentos, num processo colaborativo.

Outro consultor, Chris Brogan, acredita que audiência é quem acompanha seu trabalho, sem necessariamente interagir. A construção de um relacionamento bidirecional caracteriza uma comunidade.

O pesquisador Alex Primo diferencia dois tipos de interação: mútua e reativa. O primeiro é um sistema aberto, em que os elementos se inter-relacionam, existem trocas entre o sistema e o contexto do ambiente. No segundo caso, os elementos possuem relações pré-estabelecidas.

Para Brogan, comunidades ocorrem quando as pessoas notam que sua contribuição importa. Brogan, assim como Seth Godin, defende que comunidades precisam de líderes.

Imagem via Flickr de carf

Quem contribui nos projetos colaborativos online?

2009 Novembro 19
por charles cadé

A internet é uma ferramenta para acessar informação, isso é óbvio, mas é uma ferramenta muito mais importante para conectar uns aos outros. E a variedade de formas de pensar e viver está apenas começando a crescer porque, de repente, a idéia de nicho – você achava que era a única pessoa do mundo que gostava de determinada coisa ou que fazia uma atividade de um jeito diferente – pode ser expressa socialmente.

Clay Shirky, jornalista/acadêmico e autor do livro Here Comes Everybody (ainda não publicado no Brasil), em entrevista ao Link.

Para saber mais sobre micromídia, esse deslocamento da cultura de massa para os nichos, algo que cada vez mais desperta meu interesse, é bom conferir o trabalho de Umair Haque, The New Economics of Media. Haque influenciou muita gente, como Chris Anderson, autor de Cauda Longa.

O subtítulo do livro de Shirky é “O poder de organizar sem organizações”. Já falei sobre crowdsourcing por aqui. Prefiro a definição “terceirizar para as multidões”.

Em projetos participativos, em muitos casos, são percebidos colaboradores mais intensos, e outros que basicamente acompanham a discussão. É possível notar porcentagens que mostram participantes bem mais engajados que os demais. Uma teoria, a 90-9-1, estipula três pilares: audiência (90%), contribuintes esporádicos (9%) e criadores de conteúdo (1%).

Henry Jenkins, autor do livro Cultura da Convergência, acredita que em comunidades do conhecimento o indivíduo colabora com seu expertise pessoal para criar um conhecimento que dificilmente seria possível de ser desenvolvido de forma pessoal. Todavia, ele identifica a presença dos brain trusts, pessoas que sabem mais que as demais, definindo o que é relevante divulgar para a coletividade.

No Twitter, por exemplo, 10% dos usuários respondem por mais de 90% do conteúdo publicado. Os dados são de um estudo da Harvard Business School.

Na Wikipédia,  mais de 50% do trabalho é feito por apenas 0,7% dos usuários. E os 2% mais ativos fizeram mais de 70% das edições.

Recentemente, a Wikipédia passou a adotar um  sistema de revisão dos verbetes, até para evitar o vandalismo online, discrepância de informações etc. Editores mais antigos e com alta reputação seriam os responsáveis pela triagem. Essa mediação gera desgaste, debate sobre as escolhas feitas.

Isso inviabiliza o conceito de inteligência coletiva, de Pierre Lévy? Acredito que não, apenas acrescenta novas camadas ao que o pensador francês considerou uma “utopia realizável”. Ademais, Lévy também vislumbrou uma fase de “aprendizagem”.

Ou essa característica seria reflexo de tanto tempo vivendo de acordo com a cultura de massa, de pessoas apenas recebendo informação (pull media)? Acredito que apenas isso não justificaria essa realidade. Até porque nem todas as pessoas que já participaram de projetos de educomunicação se tornaram profissionais nessa área.

A participação de novos agentes da comunicação, muitos deles sem experiência na indústria da informação, tende a aumentar. Todavia, não vejo um futuro tão trágico para os profissionais da comunicação (quando falo isso, repito, não me refiro apenas a jornalistas). Mesmo havendo oportunidade, há pessoas que, em relação a produção e divulgação de conteúdo não pessoal, ainda se portam como receptoras (abordo em outro texto a diferença entre audiência e comunidade). Claro, não são mais passivas no processo,tem a possibilidade de participar, dialogar com o comunicador, mas não almejam necessariamente manter publicações.

O ilustrador português Jorge Colombo, que criou uma capa para a prestigiada revista norte-americana New Yorker utilizando um iPhone, fez uma comparação interessante. Refere-se a arte, mas acho que se aplicada também à produção de conteúdo. Para ele, as novas tecnologias propiciam o surgimento de artistas amadores. “É um pouco como desporto: claro que são precisos atletas profissionais, campeões, mas em cada fim de semana há gente a andar de bicicleta, a nadar ou a jogar futebol, sem ter ambições olímpicas. Um pouco de expressão artística é tão útil para qualquer pessoa como uma hora no ginário” afirmou Colombo, em entrevista à revista Mac+  37.

Steve Rubel, diretor de insights da Edelman Digital, defende uma diferenciação entre agregadores de conteúdo (como o Digg) e o trabalho de curadoria (pessoal ou coletiva; o Mahalo, por exemplo, seria uma comunidade de curadores). Esses últimos são especialistas, que fazem um trabalho de triagem do que é mais relevante. Para Rubel, curadores não são editores, já que essa última palavra remete a um espaço finito de divulgação. “A curadoria digital é o futuro da informação online”, prevê Rubel.

Pessoas procuram referências, especialistas em áreas específicas, não apenas na comunicação. Seth Godin, um dos grandes nomes do marketing digital, defende, no livro Tribes, que toda comunidade precisa de liderança.

Seria impossível revitalizar o homem renascentista, que sabe sobre diversos assuntos, dada a quantidade de informação existente atualmente. Mas podem existir especialistas em nichos específicos, que possuem a habilidade chamada “mente sintetizadora“. Em termos empresariais, fala-se que uma empresa terceriza o que não faz parte do seu core business (sua atividade principal).

As pessoas cultivam áreas de interesse, mas também se apropriam do conhecimento alheio em outras atividades, algo que uma pesquisa no Google nem sempre supre.

Ademais, há o componente da relação entre as pessoas. Para Peter Burke, autor do livro Uma história social do conhecimento: de Gutemberg a Diderot, as formas de sociabilidade tem influência sobre a distribuição e até mesmo sobre a produção do conhecimento.

Monetização das redes sociais

2009 Novembro 19
por charles cadé

Falei num post anterior sobre o fato do Facebook ter atingido o equilíbrio financeiro recentemente. Não foi um caminho fácil. A rede social enfrentou problemas diversos com sua plataforma de anúncios contextualizados Beacon.

E como os sites de relacionamento estão monetizando sua atuação?

Bill Gurley analisa o assunto. Entre as táticas mais comuns,  aplicativos, anúncios personalizados e moedas e presentes virtuais.

Esses últimos recursos podem estar atrelados a jogos online. São oferecidos alguns produtos gratuitamente, e outros são obtidos mediante pagamento. No Facebook, Farmville (61 milhões de cadastrados) e Mafia Wars (25.8M) são os mais acessados.

Veja também:
O futuro da monetização das mídias sociais – 1
O futuro da monetização das mídias sociais – 2

O poder da influência das listas no Twitter

2009 Novembro 18
por charles cadé

A criação de listas no Twitter se tornou outro artifício para agrupar informação de forma segmentada e acompanhar pessoas com interesses afins.

Para o blogueiro Robert Scoble, a ferramenta modificou como ele consegue informações e como interage com a comunidade tecnológica (ele recomenda algumas comunidades relacionadas a esse tema).

E como ocorre essa influência? O blog Skeptic Geek fez um estudo sobre o assunto com perfis de pessoas ligadas à área tecnológica (gráfico acima). Entre diversas ferramentas possíveis, como Twitterank, Twitter Grader, Twitterholic, Twinfluence, Twitalyzer, ele optou pela Klout. O resultado completo você confere aqui.

PS – Agradeço às pessoas que me incluiram nas suas listas.

Organizando e divulgando eventos via web 2.0

2009 Novembro 18
por charles cadé

O Mashable criou um guia de como planejar e promover eventos com a mídia social. Pego algumas ideias e acrescento o meu “mojo”.

Para o planejamento, sugere utilizar wikis (PBworks seria o mais indicado), a dupla Google Calendar/Google Docs e o sistema de gestão Basecamp.

O primeiro passo da divulgação é selecionar alguns nomes especiais para receber o contato inicial. São os formadores de opinião, que podem agregar valor ao seu evento (jornalistas, blogueiros, Twitteiros, donos de comunidades em redes sociais etc.). Não esquecer das pessoas próximas – familares e amigos – que podem auxiliar na divulgação de forma engajada. Você pode convidar pessoas através de serviços como Anyvite e Eventbrite.

As redes sociais geralmente possuem recursos interessantes de agenda que você pode enviar para seus contatos (Facebook alert, por exemplo).

O Twitter é uma das ferramentas essenciais para “espalhar” seu evento. Não esqueça de criar uma hashtag sobre o assunto.

Você pode facilitar a divulgação disponibilizando wi-fi gratuito no evento. Ademais, pode fazer a transmissão ao vivo (Ustream). Não precisa ser de todo o evento, apenas das partes mais relevantes. Depois, pode colocar no YouTube os trechos mais interessantes. Publique as melhores fotos no Flckr.

Depois, monitore as opiniões e continue a conversa, ainda mais se visa promover outras edições. Para eventos menores, inicie a conversa, pergunte. Tente criar uma lista de contatos.

Minha vida como ativista cultural anda meio parada no momento, mas quando retomá-la tentarei aditivar a lista amiga (pessoas que disseram que estariam no evento, e por isso vão pagar menos). Acrescentaria que, se essas pessoas divulgassem o evento em redes sociais (Twitter, Fotolog – não esqueçam dele, festeiros adoram a ferramenta-, Orkut etc.) o preço do ingresso seria ainda mais em conta. Para isso, bastaria enviar a imagem do seu perfil do serviço web 2.0 com sua divulgação para os promotores do evento.  Mais que público, teria “sócios” engajados.

Outras sugestões: manter um blog, criar uma rede social específica (Ning) e perfis em diversas redes sociais (Facebook, Twitter, Flickr, YouTube etc.)

Imagem via Maciej Dakowicz

Escrita subjetiva [Yoani Sánchez]

2009 Novembro 17
por charles cadé
De Cuba, Com Carinho

“Para evitar endeusamentos e futuras crucificações, deixo claro em uma das páginas que o meu blog é um exercício pessoal de covardia: dizer na rede tudo aquilo que não me atrevo a expressar na vida real”.

***

“Meus textos são passionais e subjetivos, cometo o sacrilégio de usar a primeira pessoa do singular e meus leitores sabem que só falo daquilo que vivi”.

Trechos do livro De Cuba, Com Carinho, coletânea de posts do premiado site Geracion Y, da cubana Yoani Sánchez. A obra foi lançada recentemente no Brasil. O blog também conta com uma versão em português. O Link publicou um perfil de Yoani.

Veja também
Entrevista com Yoani Sánchez [Revista Criativa]
Entrevista exclusiva com a blogueira Yoani Sánchez, vencedora do The BOBs 2008

Cobrança de conteúdo online

2009 Novembro 17
por charles cadé

Na semana passada, a indústria da informação buscou novamente proteger sua atuação. A Declaração de Hamburgo apóia a internet, mas também defende a aprovação de leis para proteção dos direitos de propriedade intelectual. São contra, por exemplo, os agregadores de conteúdo.

O magnata da informação, Rupert Murdoch, quer tirar do Google as notícias de suas publicações.

É um tiro no pé, visto que compartilhar notícias é um dos hábitos mais recorrentes em redes sociais.  O Twitter, por exemplo, é utilizado pelos brasileiros para se manterem atualizados. Biz Stone, um dos criadores do Twitter, já havia definido o serviço de mensagens curtas como uma rede de informação. Um estudo da agência de notícias AP também foi pelo mesmo caminho.

Fica difícil cobrar por algo abundante, o que é o caso atual da informação. Por isso, muitos serviços não querem deter o controle da informação, mas sim sua organização. Caso do Google, o trabalho de curadoria feito em blogs e no Twitter etc. Em tempos de economia da atenção, outras características são mais valiosas, como tempo, atenção e reputação dos agentes.

Até porque partilhar é um dos preceitos da internet. Todavia, muitas pessoas compartilham informações online gratuitamente, mas não necessariamente são vistas como canais de comunicação. Uma foto no Flickr, um vídeo no YouTube podem ser informações a serem “descobertas”. Se há abundância de dados, um trabalho de curadoria, de estipular qual a informação mais relevante, contextualizar esse conhecimento, vira diferencial.

Se a produção de conteúdo é cara, propostas novas, muitas vezes calcadas em projetos coletivos, oferecem novos caminhos. Como no caso do conceito de beatblogging, em que comunicadores atuam em segmentos específicos, e a comunidade lhe dá apoio na produção dessa informação.

Para Bill Gurley, o Google está inaugurando um novo modelo, em que os serviços são ofertados “mais baratos que a gratuidade“.

Mas essa postura é possível porque o Google tem um serviço comercial muito popular, os links patrocinados (por sinal, um monopólio). É daí que vem grande parte do seu faturamento (97%). Dele também vem a verba que financia os demais projetos. É por isso que a empresa procura diversificar suas fontes de renda.

Ademais, quando mais as pessoas usarem seus recursos, mais o Google pode embutir outros produtos, como os links patrocinados. É algo similar ao que ocorre com a TV aberta: a programação é gratuita, que é financiada pelo anúncios.

Além disso, se a TV foi construída em torno de um plano de negócios claro, alicerçada em propaganda, o mesmo não ocorre nas mídias sociais. Aqui, o usuário comum se apropriou primeiramente dessas ferramentas. E as empresas, muitas vezes, tem de traçar inúmeras táticas para também participar (há quem veja uma mudança nesse cenário. E tem até data: em 2010, a web 2.0 será menos social e mais corporativa)

Ademais, muitos sites não geram lucro. Sua existência é possível porque investidores apoiam essas iniciativas. Enquanto esses serviços aumentam sua popularidade, vão buscando formas de capitalizar sua atuação.

O problema da monetização online de conteúdo é que o modelo anterior está se deteriorando muito rapidamente, e não surgiu um novo adequado (nem acredito que haverá apenas um, da mesma forma que hoje existe uma pluralidade de modelos). Por isso, há um anseio por respostas milagrosas e rápidas. Ademais, a indústria da informação é encarada com ceticismo sobre seu futuro. Warren Buffett, um dos grandes investidores do mundo, já disse que não comprará ações de empresas jornalísticas.

Uma das táticas mais empregadas é o modelo freemium. Acredito que pode ser adequada para um determinado público, que busca apronfudamento da informação. São pessoas cuja atuação dependem dos desdobramentos de certos acontecimentos, de projeções que antevêem cenários. Como empresários que precisam de análises sobre a economia. Tenho dúvidas se todas as pessoas buscam isso. Na verdade, muitos se interessam por nichos, e nesse caso há informação de qualidade gratuita. Além disso, se consome muito conteúdo online, é fato. Todavia, muitas vezes trata-se de uma informação “crua”, o dado não lapidado em forma de notícia, com lead, pluralidade de pontos de vista etc.

Ademais, na internet, uma empresa de comunicação específica não compete apenas no seu setor, mas sim como toda a indústria da informação, que divulga conteúdo online. Exemplo: um emissora de TV aberta tem poucos canais competindo pela atenção do público através do aparelho televisivo. Na internet, a competição é total.

Ademais, o site de um jornal impresso, por exemplo, não divulga apenas conteúdo em texto, mas também produz vídeos, programas de áudio etc. Ou seja, a competição ocorre através da hipermídia. Citei apenas a indústria da informação, os meios tradicionais. Há também as informações produzidas e distribuídas via mídias sociais. Então, como cobrar por algo tão abundante? Difícil haver exclusividade, até porque uma matéria publicada num site de conteúdo fechado pode ser copiada e colada em um site com acesso gratuito.

Estamos passando da push media (quando a notícia chega até você, mesmo sem buscar por ela) para a pull media (quando procuramos notícias específicas).

Também se fala muito em não cobrar pelo produto, mas sim pelo serviço. Algo similar ao que ocorre com as empresas de telefonia móvel: o aparelho sai de graça, ou subsidiado, mas a conta e a carência do serviço, não. Será que esse modelo pode ser replicável por pequenas empresas, ou apenas conglomerados com grande escala? E no caso de profissionais criativos, em que o serviço é também o produto?

Jeff Jarvis, autor do livro O que a Google Faria?, se mostra reticente sobre o futuro de certas profissões. Para ele, na web cortamos intermediários. Por exemplo: posso vender meus produtos em sites de leilão, mas sem pagar muito pelo serviço.

Micropagamentos, freemium… Acredito que o momento é ideal para experimentação, testar novos modelos. Já há empresas online que conseguem obter o equilíbrio financeiro, como o Facebook e o Huffington Post. E não haverá apenas um caminho a trilhar.

De toda forma, há empresas do indústria da informação que ainda estão muito apegadas à estrutura atual. Pior: há empresas que entraram nessa fase de transição com grandes problemas econômicos, o que dificulda ainda mais o processo. São como grandes clubes brasileiros de futebol: possuem grandeza e popularidade, mas escolhas anteriores erradas atrapalham seu futuro.

Veja também

Como os jornais estão ganhando dinheiro on-line
Quem paga a conta na economia digital?
O futuro gratuito de Mister Anderson

Imagem via Flickr de hegtor



25 melhores documentários da década (2000-2009)

2009 Novembro 14
por charles cadé

Seleção da revista Paste.

25. Food, Inc. (2009)
24. Dig! (2004)
23. Gleaners and I (2000)
22. The Devil and Daniel Johnston (2006)
21. No End In Sight (2007)
20. No Direction Home (2005)
19. Enron: The Smartest Guys in the Room (2005)
18. Anvil: The Story of Anvil (2008)
17. The White Diamond (2004)
16. God Grew Tired of Us (2007)
15. Super Size Me (2004)
14. An Inconvenient Truth (2006) 13. Jesus Camp (2006)
12. Capturing the Friedmans (2003)
11. Born into Brothels (2004)
10. Waltz with Bashir (2008)
9. Murderball (2005)
8. Spellbound (2002)
7. When the Levees Broke: A Requiem in Four Acts (2006)
6. King of Kong: A Fistful of Quarters (2007)
5. Bowling For Columbine (2002)
4. The Fog of War (2003)
3. Grizzly Man (2005)
2. Iraq in Fragments (2007)
1. Man On Wire (2008)

Vi aqui.

Making News: o futuro do jornalismo [vídeo]

2009 Novembro 13

Debate sobre mídias sociais, jornalismo digital, o financiamento da informação, a qualidade do conteúdo online, a “morte” das mídias tradicionais etc. Em inglês. Participam do papo: Arianna Huffington, cofundadora do maior coletivo de blogs dos EUA, Huffington Post; Mathias Döpfner, do grupo alemão de mídia Axel Springer AG e a jornalista francesa Christine Ockrent.

O vídeo demonstra duas visões de mundo diferentes: mídias tradicionais e as novas tecnologias procuram caminhos distintos no ciberespaço.

Döpfner vê possibilidades positivas na web, mas também defende a cobrança de conteúdo online. Para ele, jornalismo de qualidade custa caro para ser produzido e muitos comunicadores online “roubam” conteúdo da indústria da informação. “No longo prazo, as pessoas vão aceitar o modelo que funciona há centenas de anos e pagarão pela informação”, prevê.

Sua opinião reflete a mídia tradicional. A indústria da informação defende a aprovação de leis de proteção à propriedade intelectual para assegurar o investimento em jornalismo (Declaração de Hamburgo). Volto ao tema depois.

Ockrent acredita que na internet as opiniões valem mais que fatos.

Já Huffington explica que seu site vive de publicidade. “Não adianta bloquear a informação; a economia do link é mais valiosa”, opina. Ademais, Huffington refuta uma das teses de Döpfner, que defente que os meios de comunicação entregam “informação exclusiva”. Para ela, na internet há abundância de conteúdo. “O futuro é gratuito”, conclui Huffington.

Vídeo obrigatório.

Veja também
Jornalismo cidadão: Huffington Post indica suas normas de publicação para contribuições do leitor

Rede social mapeia relacionamentos de personalidades britânicas

2009 Novembro 12
por charles cadé

Who Knows Who

Nas redes sociais online, para termos alguém como contato, é necessário a reciprocidade. Ou seja, que a outra pessoa também o acompanhe.

Todavia, o Channel 4, do Reino Unido, lançou um produto diferente, o Who Knows Who. Trata-se de uma rede social que mostra as conexões das personalidades britânicas (políticos, celebridades e empresários). Com isso, o projeto visa construir um mapa dos relacionamentos para mostrar onde o poder reside no Reino Unido.

Os visitantes podem colaborar, dando dicas de novas ligações e apontando possíveis erros. No começo, o site traz seis mil ligações.

Eis uma ideia genial de exercício de transparência (ainda mais se liberar a API). Isso porque pode monstrar não apenas as conexões que gostaríamos de divulgar, mas também as que podem ser comprometedoras. Já pensou poder identificar quem colaborou para a campanha de determinado político? Ou mesmo deixar claro que conflitos de interesse um político poderia ter em analisar um novo projeto de lei?

Guia de recursos da mídia social

2009 Novembro 11
por charles cadé

Há diversos serviços úteis na web 2.0, que vão muito além dos sites mais conhecidos. Uma boa dica é conferir o guia Web 2.0 Literacy Tools, de Naomi Harm, que reúne vários desses recursos.

Há dicas de sites para encontrar fotos livres de direito autoral, editores online de vídeos e imagens, conversores de arquivos, onde compartilhar apresentações online, sites que disponibilizam músicas gratuitamente, dentre outros.

Você pode fazer o download do arquivo, em pdf, aqui. Em inglês.

Num post do ano passado, também citei vários exemplos de programas que funcionam diretamente da web, bastando apenas um navegador (Firefox, Internet Explorer etc.)

O futuro da era da informação

2009 Novembro 11
por charles cadé

Via

Twitter e usabilidade

2009 Novembro 6
por charles cadé

Jakob Nielsen, incensado e criticado estudioso da Usabilidade, publicou em seu site um estudo sobre o Twitter.

Versa sobre como escrever mensagens mais efetivas e qual o melhor horário para publicar (isso se seu interesse mira o público internacional).

Entre suas dicas, não perder tempo com termos que pouco acrescentam ao conteúdo: o começo da frase deve ser de impacto, visto que a maioria dos usuários lê apenas o início para saber se aquela mensagem vale realmente a pena.

Ademais, não se deve escrever mais de 130 caracteres. Isso facilita o retweet (republicar mensagens enviadas por outras pessoas).

Profissionais que fazem a diferença na Twittosfera

2009 Outubro 29

Na mais recente edição da revista da Locaweb, fui considerado um dos “profissionais que fazem a diferença na Twittosfera”. Estou acompanhado de muita gente boa, como o jornalista Marcelo Träsel (peguei a dica na página dele no Scribd).

Nesse ano, também fui citado na lista Top 35 jornalistas para seguir no Twitter.

Para quem quiser me acompanhar no serviço de mensagens curtas, meu endereço é twitter.com/charlescade.

Imagem via Flickr de Jef Poskanzer

Assista filmes da 33ª Mostra Internacional de Cinema na internet

2009 Outubro 28

A 33ª Mostra Internacional de Cinema exibe, até o dia 05 de novembro, em São Paulo, uma maratona de filmes interessantes (a Folha mantém uma página especial sobre o assunto). Para quem não está na capital paulista, uma opção é conferir as obras via internet. Gratuitamente e com legenda.

Para isso, basta visitar a página The Auteurs, se cadastrar e conferir os filmes que vão ser exibidos no dia. Segundo os criadores do site, esse seria “o primeiro festival online do mundo“.

The Auteurs é um belo site para assistir filmes online e conversar com outros cinéficos. Veja outras dicas de páginas para ver filmes na web.

Imagem via Flickr de Roloff

A história do Google em dois minutos

2009 Outubro 28
por charles cadé

Via

Crie projetos gráficos de forma colaborativa

2009 Outubro 27
por charles cadé

Vídeo demonstrativo do Creately, aplicativo online de diagramação e design que permite realizar trabalhos gráficos de forma colaborativa. O site conta com vários modelos, tais como fluxogramas.

Internet e as eleições de 2010

2009 Outubro 26

A rede vai ter um impacto grande nas eleições do ano que vem, especialmente por conta das LAN houses. O Brasil possui 2.200 salas de cinema, 2.600 livrarias e… 90 mil LAN houses. A maioria absoluta das cidades brasileiras não tem cinema nem livraria, mas tem LAN house. Elas são não só um lugar de acesso à rede, mas um novo tipo de espaço coletivo.

Ronaldo Lemos, na Folha de São Paulo (acesso exclusivo para assinantes do jornal e do provedor UOL).

A revista Rolling Stone desse mês traz uma matéria sobre o assunto (trecho no site). Segundo o texto, a internet inaugura uma nova era nas campanhas políticas brasileiras.

Perseguir o modelo Obama será a tônica das ações de Marketing Político.

Ben Self, estrategista da campanha do atual presidente norte-americano, deve prestar consultoria para Dilma Rousseff, provável candidata do PT à presidência.

Já a senadora Marina Silva possui uma comunidade de apoio a sua candidatura, plataforma similar à estratégia online de Obama.

Veja também
Linking data, plataformas abertas para o conhecimento

Imagem via Flickr de Theresa Thompson