O apagão do Twitter

2009 Julho 6
by charles cadé

Ontem, fui acessar minha conta no Twitter e me deparei com uma mensagem dizendo que ela estava bloqueada. Isso porque o serviço estava analisando minha conduta, “por suspeita de atividade estranha”. Não sei o que é isso, até porque, como o jornalista Alexandre Matias (que também teve sua conta suspensa), na maioria das vezes cito links.

Para melhorar o uso da ferramenta, passei recentemente a utilizar TweetLater, que torna possível agendar posts. Assim, não mando diversas mensagens em pouco tempo. Além disso, mando uma mensagem padrão agradecendo quem me segue. Para mim, é educação básica. O TweetLater, que oferece um serviço complementar ao Twitter (devido à API), parece estar no cerne da questão. Mas não é culpa dele, segundo o próprio Twitter. De toda forma, ficou com a reputação arranhada.

Pouco tempo depois, vejo uma matéria do Mashable relatando que muitos usuários como eu estavam com o mesmo problema.

O jornalista Tiago Doria amplia o assunto, falando também de um problema ocorrido com o Flickr. Não é o primeiro atrito com contas empresariais.

Hoje, minha conta no Twitter havia voltado ao normal. Motivo alegado para o erro: falha humana. O sistema poderia criar muitos critérios de segurança, como analisar todo o histório do usuário. Estou lá há mais de um ano e meio. Se minha conduta vinha sendo correta, porque agir dessa forma?

Até para minha proteção. Assim como há cartões de crédito que entram em contato quando notam um desvio no padrão de consumo, um simples recurso desses poderia ser utilizado para me proteger, e não contra mim. Como o blog do TweetLater defendeu, agiu-se primeiro, e depois se investigou.

Apesar do constrangimento de estar sendo julgado por um delito que não cometi, acho que o mais grave sobre o assunto foi o silêncio do Twitter durante um bom tempo, já que o problema era sistêmico. Para uma ferramenta que prega a comunicação em tempo real, a demora soa incoerente. Isso para mim é mais grave que o erro, até porque a falha é sempre uma possibilidade. Eu erro muitas vezes.

Além disso, o Twitter -e o Flickr também- não possui ferramentas simples de segurança. Não é possível fazer becape (de contatos, mensagens postadas etc.). Posso guardar os posts de blogs, o que sempre faço, mas não consigo fazer o mesmo via o próprio Twitter. Tenho de usar um serviço complementar. Sendo que o TweetLater, que usava, também é uma ferramenta coligada ao Twitter…

Outro problema é que, na internet, já há diversos monopólios de comunicação, com produtos específicos virando sinônimo de serviços. Twitter lidera entre os microblogs. E o Flickr, na hospedagem de fotos. Há outros serviços, mas esses foram os que criaram primeiro o sentimento de comunidade. Mérito deles.

Mas a questão não pode ser analisada apenas por esse prisma. O comunicador da Microsoft (MSN Messenger), como líder do mercado, teve de fazer concessões, interagir com outros serviços. Hoje, posso acessá-lo via comunicador online Meebo. Antes, isso era impensável.

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