Você tem fome de quê?

2009 Julho 16
by charles cadé

O tempo. Eterno culpado pela precariaedade de nossos atos (ou da ausência deles). Não conseguimos encontrar as pessoas que gostamos? O trabalho vai atrasar? Se não há como fazer tudo, ele é o culpado, já que teima em ser escasso. Entretanto, mais que um problema, o tempo pode ser uma solução. Isso porque nos obriga a ter foco.

Veja a lista de projetos que começou e não concluiu, por exemplo. Ideias canalizadas para objetivos específicos poderiam ter tido resultados melhores. Além disso, será que tudo que está fazendo é relevante? Está encarando as atividades que desenvolve dando a cada uma delas a importância que devem ter?

Se está sempre ansiono, se já virou uma rotina encontrar desculpas para sua procrastinação, então talvez seja o momento de reavaliar suas decisões. De toda forma, a tecnologia atual permite que você não precise abdicar de se envolver em diversas atividades. Como é mais fácil interagir, você pode contar com colaboradores nos projetos que acredita, mas que não teria como se dedicar com tanto afinco.

Curiosamente, às vezes dizer que está ocupado, com a agenda cheia, soa interessante. A “falta” de tempo é valorizada em alguns contextos. Se transforma em sinal de prestígio, que aquele profissional é tão requisitado que vive trabalhando.

Por outro lado, se alguém acaba fazendo genuinamente o que gosta, o que podem ser muitas atividades, ele pode ser visto como alguém que deixa de fazer algo importante (como uma atividade profissional) para se dedicar a outras atividades.

Evidentemente, não somos soltos no mundo. O imponderável também pode ocorrer, e é importante não sermos tão ligados em planejamento, visto que algo imprevisto poderia gerar desespero em mentes que tem dificuldade em lidar com o inesperado. De toda forma, a má gestão alheia do tempo nos contamina. Como chefes que passam demandas em cima da hora (muitas vezes tarefas que foram esquecidas) dificultando qualquer tipo de trabalho eficiente.

Mesmo quando há prazos estipulados, projetos não são desmembrados em etapas, para facilitar sua gestão. Para realizar o todo, são necessárias diversas atividades.

Em muitas empresas, se paga pelo tempo, e não pelo trabalho desenvolvido. Presa-se que o funcionário esteja na empresa, mesmo que não desenvolva qualquer atividade. Entretanto, é inegável notar que há pessoas que só funcionam dessa forma, na base da mentalidade do cartão de ponto, da necessidade da cobrança.

Para piorar, muitas vezes não nos vemos como responsáveis por nossas vidas. Os grandes feitos são nossos, mas os equívocos… Daí surgem males do ego, da necessidade de afirmação constante (pessoas pouco maleáveis para conviver com o diferente), necessidade de criar inimigos, falsas perseguições etc.

Da mesma forma que muitas vezes se diz que algo é urgente quando na verdade foi mal planejado, designar o tempo como algoz do mundo moderno na verdade suplanta um equívoco maior, a má gestão de nossas escolhas. Como ensina o método Getting Things Done (GTD), não tente gerenciar o tempo, mas sim sua mente. O que não quer dizer criar pouco. Como apregoam os indianos, devemos procurar fazer menos e realizar mais.

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Imagem via Flickr de kylebuza

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