É o fim da privacidade como conhecemos?

Computer Coup -
Via Flickr de citybumpkin
Vi a dica desse site no Twitter do jornalista Pedro Doria. Reúne os perfis de funcionários do jornal New York Times no serviço de mensagens curtas.
Isso me fez lembrar uma citação, cuja autoria não me lembro, afirmando que o conceito de privacidade como conhecemos atualmente é, em termos históricos, recente. Teria iniciado juntamente com a revolução industrial. E que, devido às novas tecnologias, tenderia a acabar.
Na sua vida digital, você pode agir como quiser, esquecendo seu posto de trabalho ou sua atuação “respeitável”, ou também deve ter uma postura mais comedida? Não há respostas gerais para isso, o caminho vai depender da escolha de cada um.
Vale lembrar que liberdade de expressão não significa que estará livre das consequências de suas opiniões. Patrulha politicamente correta ou não, empresas e governos se movimentam, criando “guias de conduta” para a mídia social.
Claro, na internet a interpretação do que é dito nem sempre condiz com a intenção do autor, já que (a) faltam outras formas de comunicação (tom da voz, postura corporal etc.) (b) frases fora do contexto podem ser danosas e (c) há melindres exacerbados online (quando criança, chamavam isso de não-me-toque; volto a esse tema depois). Não que isso seja propriamente novo - exemplo: timidez pode ser interpretada como pedantismo por pessoas mais extrovertidas – apenas a internet potencializa isso.
Você pode utilizar emoticons (um sorriso para dizer que está brincando), tags para esclarecer que algo não é sério, mas mesmo assim isso pode se chocar com o ego alheio… Como afirmou Ítalo Calvino, o poder da narrativa não está na voz, mas sim no ouvido. Evidentemente, você não deve se subjulgar a isso, pois pensaria tanto antes de agir que não faria nada. O cuidado exacerbado é paralisante. Enfim, é uma questão de bom senso.
De toda forma, criar uma máscara, atuar, não seria o ideal, já que posturas do tipo são fáceis de perceber. Pessoas que são frias e arrogantes na vida pessoal, mas que querem ser amigas e próximas em redes sociais, são facilmente percebidas. O mesmo vale para quem é mais contido e tem uma postura agressiva online, fazem críticas mordazes. Acaba soando como um distúrbio de personalidade, uma esquizofrenia leve.
Há quem haja como se, no trabalho, fosse pessoa jurídica, e na vida pessoal, física. São duas pessoas distintas no mesmo corpo. Mas o conceito de on e off line faz cada vez menos sentido. O que faz em cada ambiente repercute no outro. Pode ter interesses múltiplos, mas você é uma única pessoa, assim como sua reputação.
É triste mas, em muitos casos, valorizasse mais o erro que o acerto. Você pode ter uma vida centrada e, no primeiro erro, isso tudo é corroído por um único deslize. Às vezes, algo ínfimo.








Acho um pouco antagônica esta idéia do fim da privacidade num meio onde se escolhe (pelo menos enquanto a lei do senador Azeredo não for aprovada) o que, ou que “parte da sua vida” está acessível aos outros. Concordo quando vc diz que a vida on e off não são passiveis de segmentação, mas acho que é possível manter uma identidade na rede menos fiel à “real”, não em termos de essência, mas em níveis de informação pessoal.
Ah, e parabéns pelo post, mt bom! :]
Fernanda,
Obrigado pela visita. Acredito que, cada vez mais, será necessário ter o mesmo cuidado que temos na vida “off line” na nossa presença na web. Veja por exemplo o caso desse blogueiro (http://tecnologia.terra.com.br/interna/0,,OI3928508-EI4802,00.html), que está lutando para não revelar sua identidade. É apenas um exemplo de muitos que estão acontecendo.